Para maiores informações, consulte: editoraplena@editoraplena.com.br ou acesse www.fullscience.com.br
Editor (Diretor Científico/Scientifical Diretor)
Prof. Dr. Halim Nagem Filho
Publisher - Editora Plena
ISSN - 2175-7437
Circulação - Nacional
Indexações - Latindex, BBO, LILACS, IBICT, CCN, SeCS
Full Dentistry in Science, trimestral, 124 páginas, composta por cinco cadernos: IMPLANTODONTIA, PRÓTESE, ENDODONTIA, CLÍNICA E BÁSICA.
Editorial 10ª Edição
O desafio de fazer uma boa revista em português e ter reconhecimento (científico ou social?)
Alessandro D. Loguercio¹
Estou convicto, como professor da Pós-graduação em Ponta Grossa/PR e Bolsista de Produtividade do CNPq, que a publicação em revistas que tenham fator de impacto (*) é extremamente necessária para ampliar a visibilidade da produção brasileira e, para o reconhecimento científico de nossos pesquisadores em escala mundial. Não sou eu quem afirma isto5,6,9. Todos os indicadores atuais referentes à ciência e tecnologia atestam este fato e, por isso, tenho enviado grande parte da minha produção científica para essas revistas, as quais são, na sua esmagadora maioria, fora do Brasil e no idioma inglês, reconhecidamente o idioma da ciência.
Contudo, vivo um contrassenso! Sou convidado, como conferencista inúmeros congressos científicos no Brasil e observo que grande parte dos clínicos que assistem aos meus cursos não tem acesso (a despeito do esforço da CAPES na manutenção da plataforma de periódicos CAPES) e/ou não leem em inglês. Digo isto mesmo para artigos publicados pelo meu grupo de pesquisa que tem hoje mais de 30 citações em revistas de impacto, ou seja, tem reconhecimento científico ao redor do mundo.
O que fazer? Nós, os pesquisadores e docentes, temos que entender com rigor os critérios da CAPES e do CNPq***, já que fazemos parte do sistema. Eu creio que critérios rígidos como os utilizados pela CAPES e pelo CNPq para as avaliações são necessários, mas compartilho, assim como o fazem um grande número de professores com quem converso, sobre a necessidade de propormos mudanças que venham a melhorar o sistema.
Um destaque importante é entendermos que publicar um artigo científico em uma revista que tenha fator de impacto não significa dizer que o artigo é bom! Todas as revistas têm uma distribuição de citações assimétrica e, cerca de 20% dos artigos publicados concentram algo ao redor de 3% das citações (Rocha e Silva, 2012, entrevista; http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4603&bd=1&pg=1&lg). Um dos
meus artigos mais citados foi publicado em uma revista que, na época, nem tinha fator de impacto8.
Outro ponto mais relevante ainda é entendermos que reconhecimento “científico” não significa reconhecimento “social”, ou seja, às vezes, por publicar em revistas de impacto, o pesquisador é reconhecido internacionalmente, mas as suas publicações tem pouco impacto na realidade social em que ele vive. Isto ocorre não porque o seu trabalho não tenha aplicação ou não seja relevante socialmente, mas porque não se tem acesso a ele, como indicado anteriormente. Então, por que não publicarmos também em português? Um excelente Editorial sobre esse tema foi recentemente escrito pelo Prof. Dr. Luiz Baratieri¹, Editor da Revista Clínica, também editada em português. Ele cita o Prof. Dr. Jaime Cury, um renomado pesquisador que foi o primeiro, sem querer, a me fazer pensar por este “outro lado”. Ele me dizia durante um congresso de pesquisa que havia escrito uma série de artigos sobre Fluoreto para o Jornal da ABO e que o número de e-mail que ele recebeu após a publicação da matéria foi simplesmente espetacular!
Jovens pesquisadores e pós-graduandos devem estar pensando: “o Prof. Jaime não precisa mesmo publicar lá fora... ele já é por demais (re)conhecido...”. Ledo engano! O Prof. Jaime continua mais ativo do que nunca... em português e em inglês (acesse www.cnpq.br e consulte o currículo Lattes do referido Professor).
É óbvio, portanto, que precisamos criar alternativas para fazer com que as boas pesquisas, laboratoriais e clínicas que fazemos e que tenham relevância para a sociedade, possam ser conhecidas por quem realmente interessa: os cirurgiões-dentistas brasileiros. A área de Odontologia, representada na CAPES pela Profª. Dra. Isabela Pordeus nas últimas gestões, vem incessantemente discutindo o papel da inserção social dentro dos programas de pós-graduação e, muitos avanços ocorreram nesse sentido.
(*) Fator de impacto é uma medida para verificar o quanto uma determinada revista tem os seus artigos citados. O cálculo é simples:
divide-se o número de citações dados à revista pelo número de artigos publicados na revista ao longo de um ano, ou seja, se a revista teve 150 citações no ano e publicou 100 artigos, o seu fator de impacto é de 1,5. Quanto maior o fator de impacto, mais importante se torna a revista. Esse indicador pode ser obtido pelos sites: www.webofscience.com (revistas mais importantes) e www.scopus.com (que inclui muitas citações de revistas de livre acesso, entre outras).
(**) CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) é a agência responsável pelas políticas de pós-graduação no Brasil.
(***) CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) é a agência responsável pelo fomento da pesquisa científica e tecnológica e pela formação de recursos humanos para a pesquisa no país.
Mas como fazer na prática? Vou dar um exemplo com base em uma série de estudos que realizamos sobre dessensibilizantes e clareamento dental. Verificamos que a aplicação prévia de agentes dessensibilizantes efetivamente diminui a sensibilidade ocasionada pelo clareamento caseiro e de consultório, com e sem uso de luz2,7,10, por meio de ensaios clínicos aleatorizados e duplo cego. Esse tipo de estudo representa um do mais alto patamar de evidência em termos de métodos de avaliação de terapias e, todos eles foram publicados em revistas de impacto. Conjuntamente a isto, por meio de casos clínicos em que essas técnicas e os resultados das publicações anteriores são descritos de forma sucinta, publicados em revistas brasileiras de excelente qualidade, tais como a Revista Dental Press Estética e a Revista da Associação Paulista de Cirurgiões-dentistas3,4, buscamos alcançar os nossos profissionais.
Isto sem dúvida deve ser visto apenas como uma alternativa e é um apelo à reflexão de todos: será que a submissão de um artigo em uma revista brasileira, como a Full Science, também não representa o reconhecimento científico e social de nosso trabalho?
¹Professor da Graduação e Pós-graduação em Odontologia da Universidade Estadual de Ponta Grossa/PR - (aloguercio@hotmail.com)
Para maiores detalhes acesse: www.cnpq.br e consulte o currículo Lattes
Referências bibliográficas
1. Baratieri L.N. Editorial. Clínica - International Journal of Brazilian Dentistry, 6 (4), 2010. (http://www.revistaclinica.com.br/edicao.php?lang=pt&ed=24).
2. Kose C., Reis A., Baratieri L.N., Loguercio A.D. Clinical effects of at-home bleaching along with desensitizing agent application. American Journal of Dentistry 24(6) 379-82, 2011.
3. Kose C., Reis A., Loguercio A.D. Prevenção da sensibilidade causada pelo clareamento caseiro: relato de caso. Revista da Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas 64(5): 352-6, 2010.
4. Kose C., Tay L.Y., Reis A., Loguercio A.D. Prevenção da sensibilidade causada pela clareação de consultório - relato de caso. Revista Dental Press de Estética 6(4): p. 88-98, 2009.
5. Nadanovsky P. O aumento da produção científica odontológica brasileira na saúde pública. Cad. Saúde Pública, 22(5): 886-887, 2006.
6. Relatório trienal de avaliação 2007-2009 (trienal 2010). Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Brasília: CAPES [acesso em 2012 mar 01]. Disponível em: http:// www.capes.gov.br.
7. Reis A., Dalanhol A.P., Cunha T.S., Kossatz S., Loguercio A.D. Assessment of tooth sensitivity using a desensitizer before light-activated bleaching. Operative Dentistry 36(1): 12-7, 2011.
8. Reis A., Loguercio A.D., Azevedo C.L., de Carvalho R.M., da Julio Singer M., Grande R.H. Moisture spectrum of demineralized dentin for adhesive systems with different solvent bases. Journal of Adhesive Dentistry 5(3) 183-92, 2003.
9. Sígolo B.O.O., Casarin H.C.S. Destaque da produção científica brasileira em odontologia no cenário mundial e a influência no comportamento informacional do profissional cirurgião-dentista (CD). Revista EDICIC, 1 (4): 389-407, 2011.
10. Tay L.Y., Kose C., Loguercio A.D., Reis A. Assessing the effect of a desensitizing agent used before in-office tooth bleaching. Journal of American Dental Association 140(10): 1245-51, 2009.