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Editor (Diretor Científico/Scientifical Diretor)
Prof. Dr. Alexandre Moro - UFPR - PR
Editores Científicos Adjuntos/Assistant Scientific Editors
Prof. Dr. Aguinaldo Farias - UFPR - PR
Prof. Dr. Ricardo Moresca - UFPR - PR
Publisher - Editora Plena
ISSN - 1982-8799
Circulação - Nacional
Indexação - Latindex - BBO - LILACS - IBICT - CCN - Qualis B4
Páginas - 124
Periodicidade - Trimestral
Editorial 17ª Edição
Recidiva Pós-Tratamento: O Calcanhar de Aquiles da Ortodontia
Pense um pouco, qual é a situação mais preocupante em uma clínica de Ortodontia: a reabsorção radicular, surgimento de uma DTM durante o tratamento, uma péssima higiene bucal, falta de colaboração no uso de elásticos ou a recidiva pós-tratamento?
Provavelmente, a resposta vai variar de clínico para clínico e pode depender de vários fatores, como tipo de formação ortodôntica e experiência clínica.
Eu votaria na recidiva pós-tratamento. É decepcionante ver anos de tratamento ser levados embora, às vezes, em poucos meses após a remoção dos aparelhos.
Não vou discutir aqui os mais de 10 fatores que podem contribuir para a recidiva. O que mais tem chamado a atenção sobre o assunto é a falta de cuidado que muitos profissionais e muitos pacientes tem para com essa importante fase do tratamento.
Alguns profissionais acham que o assunto não é tão importante e que não possuem casos de recidiva.
Provavelmente, esses são os profissionais que não tem o hábito de chamar seus pacientes para uma avaliação após alguns meses ou após alguns anos do final do tratamento. Infelizmente, eles não sabem que quando ocorre uma recidiva, muitas vezes o paciente não retorna no profissional que o tratou, ou seja, ele vai em busca do retratamento com outro profissional.
Os pacientes estão começando a perceber que se não usarem a contenção, os dentes vão entortar.
Entretanto, a grande maioria não segue as recomendações dos ortodontistas, e após algum tempo param de ir ao consultório para as revisões.
Se tivesse que escolher um grande vilão, seria a função muscular alterada que, se não corrigida após o tratamento, vai fazer com que os dentes não fiquem em suas posições. Infelizmente, os ortodontistas e pacientes têm negligenciado a importância do trabalho em conjunto dos fonoaudiólogos para o equilíbrio do aparelho estomatognático. Muitas vezes, mesmo contenções fixas nos arcos superior e inferior não são capazes que resistir a uma língua delinquente.
Outro fator que tem chamado a atenção nos últimos anos é a falta de adesão dos ortodontistas a um dos principais mandamentos da boa Ortodontia, que é não alterar a forma inicial do arco. Algumas novas técnicas colocam como grande vantagem fazer a expansão dos arcos e o aumento da proporção de tratamentos sem extração. Isso tudo, sem mostrar estudos longitudinais que comprovem tal estratégia. Falta aqui evidência científica e os ortodontistas devem cobrá-la de seus gurus.
Uma mudança de comportamento que tem sido percebida é que finalmente os ortodontistas brasileiros descobriram que existem outros aparelhos de contenção além da Placa de Hawley e da 3x3 fixa. Cada vez mais profissionais estão utilizando os alinhadores removíveis (Essix, Clear Aligner, etc..) como contenção e também para corrigir pequenas recidivas.
Para finalizar, precisamos perder o medo e dizer para o paciente que ele deverá usar a contenção pelo tempo que quiser ficar com os dentes alinhados, pois a partir do momento que ele decidir remover a contenção, ninguém poderá garantir que os dentes ficarão no lugar, ou seja, a contenção é para sempre. Desta forma, esta flecha envenenada não atingirá nosso calcanhar.
Dr. Alexandre Moro
Diretor científico