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Cirurgias odontológicas com ultra-som
(08/12/2009)
 
Estamos numa era da odontologia que busca prevenir as doenças, e/ou tratá-las da forma menos invasiva possível. Hoje, pensa-se muito no conforto do paciente e do profissional, e na devolução da função, da saúde e da estética do sorriso através de técnicas cada vez mais práticas, simples e previsíveis, devidamente fundamentadas no universo científico. Dentro desse contexto moderno, surge a cirurgia óssea piezo-elétrica como uma alternativa interessante às cirurgias odontológicas tradicionais – realizadas com instrumentos rotatórios (brocas) ou cortantes. Esse tipo de cirurgia emprega a vibração ultrasônica para promover as modificações necessárias em osso ou gengiva.

A cirurgia óssea piezo-elétrica está indicada nos casos de extrações dentárias (incluindo os dentes do ciso), cirurgias de enxerto ósseo para a reconstrução dos tecidos perdidos, plastias ósseas, remoção e enucleação de cistos, implantes, e em outras técnicas específicas.

Um aparelho piezo-elétrico nada mais é do que um aparelho de ultra-som, daqueles utilizados em sessões de profilaxia e remoção de tártaro, que produz uma vibração específica (ultra-sônica) na ponta do aparelho, capaz de cortar o osso. Esses instrumentais começaram a ser empregados em cirurgias ortopédicas, e, em 2002, foi fabricado na Alemanha o primeiro aparelho piezo-elétrico específico para odontologia (PiezoSurgery, Mectron). A voltagem e a freqüência do aparelho capacitam-no apenas ao corte seletivo do osso, preservando os tecidos moles e duros adjacentes (gengiva, bochecha, lábos, raízes dos dentes, nervos). Essa característica é de extrema importância nas cirurgias odontológicas realizadas próximas ao nervo mandibular (alveolar inferior), ou ao assoalho do seio maxilar, ou a qualquer estrutura anatômica que deva ser preservada.

Adicionalmente, a vibração ultrasônica da ponta ativa do aparelho (osteótomo) promove um efeito cavitacional, que é potencializado pelo spray de soro fisológico utilizado para irrigar e resfriar a região da incisão óssea. Essa irrigação gera um campo cirúrgico limpo (livre de sangue), de fácil visualização e isento do risco de necrose do osso por aquecimento. As brocas, tradicionalmente empregadas nesse tipo de cirurgia, podem gerar queimaduras ósseas seguidas de necrose, e comprometer o resultado da cirurgia. Além disso, as cirurgias convencionais geram muito desconforto ao paciente. Durante a cirurgia, o uso de brocas e cinzéis cortantes é percebido negativamente pelo paciente em função do barulho, da pressão e da vibração exercida pelo instrumental e pelo próprio profissional. O osteótomo piezoelétrico reduz significativamente o barulho, a vibração, a pressão, o aquecimento, e o desconforto pós-operatório. Alguns estudos clínicos demonstram que a recuperação do paciente é muito mais tranqüila após uma cirurgia piezo-elétrica, porque a cicatrização óssea é acelerada e a ausência de aquecimento diminui a possibilidade de ocorrerem edemas.

Entretanto, toda técnica tem suas limitações. O ultra-som piezoelétrico específico para fins cirúrgicos tem custo elevado, exige uma curva de aprendizado (como todas as técnicas cirúrgicas) e não otimiza o tempo da cirurgia, que geralmente é mais demorada.

Independentemente disso, a cirurgia óssea piezo-elétrica, tanto na medicina quanto na odontologia, surgiu para facilitar a prática clínica e melhorar o conforto trans e pós-cirúrgico do paciente. Mais estudos se fazem necessários para desvendar porque a cicatrização óssea torna-se acelerada, e de que forma essa técnica pode contrubuir ainda mais para a odontologia moderna.
 
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